Cuidado com a hipoglicemia

A queda brusca de açúcar no sangue merece atenção.

Tremedeira, suor frio, irritação, tontura, entre outros sintomas, podem apontar um quadro de hipoglicemia, distúrbio caracterizado pela queda brusca de glicose no sangue. Mas é bom investigar as causas, já que o problema é sério. É bom não banalizar, achando que a queda de açúcar não é nada. Ela pode ser conseqüência de problemas mais sérios, ainda não detectados. É importante a consulta a um especialista (endocrinologista) para saber a causa.

Em geral, para ter um bom funcionamento, o organismo mantém um controle da glicose no sangue em uma faixa estreita, entre 70 a 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl). A hipoglicemia é o distúrbio no qual, além de a quantidade de açúcar estar abaixo de 70 mg/dl, ainda surgem vários sintomas como tremores, sudorese, calafrios, sonolência e irritação.

Porém, pouco açúcar no sangue (ou hipoglicemia) também pode acarretar um funcionamento incorreto de vários sistemas orgânicos, pois a glicose é o combustível que move o corpo. Sem ela, seria impossível imaginar qualquer função, de um piscar de olhos até correr meia maratona ou mesmo resolver uma simples palavra cruzada.

A hipoglicemia pode ser causada por várias razões, desde alimentação inadequada até tumores no pâncreas e disfunções glandulares.

Mecanismo de defesa

Entretanto, para que a glicose cumpra seu papel, é necessário a ajuda da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a sua entrada no interior da célula, onde haverá o processo de combustão que irá gerar energia. Nossa principal fonte energética são os alimentos, em especial os carboidratos (massas, pães, açúcares) e, em segundo lugar, as gorduras. Se, por acaso, ingerimos mais comida do que o necessário, o excesso de açúcar produzido depois da digestão é armazenado no fígado na forma de glicogênio. Então, quando o nível de glicose começa a cair no sangue, o que acontece, em média, depois de quatro a cinco horas após uma refeição, o organismo, em um mecanismo de defesa, lança mão do glicogênio do fígado para não ficar sem gás. A fim de transformar o glicogênio novamente em glicose, é necessária a interferência de outro hormônio, conhecido como glucagon.


Dessa maneira, uma pessoa sadia pode ficar por um longo período (até 72 horas) sem se alimentar, que o corpo continua a funcionar com o glicogênio estocado. E mesmo depois de ele acabar, ainda há a gordura de reserva que poderá ser queimada para se transformar em energia e fazer o corpo manter, pelo menos, as funções vitais. Agora, se o mecanismo de reposição de glicose falhar e o nível de açúcar continuar a cair, mesmo na presença de alimentos, pode estar presente, então, um quadro de hipoglicemia. Nesses casos, é preciso procurar as causas deste distúrbio o mais rápido possível.

Nível alterado

Muitas vezes os sintomas da hipoglicemia são similares aos de uma crise de ansiedade. Além dos tremores e sudorese, ainda podem aparecer desmaios. Nos casos mais graves, quando um exame de laboratório indica níveis abaixo de 40 mg/dl, também podem surgir tontura, confusão mental, fadigas, dores de cabeça, alterações visuais e motoras, incapacidade de concentração, sinais estes que costumam ser confundidos com embriaguez.
Tudo é conseqüência da baixa oferta de açúcar para o sistema nervoso central. O cérebro, particularmente, é muito sensível à falta de glicose. Quando isso acontece, o sistema nervoso envia uma ordem às glândulas supra-renais para liberar mais adrenalina. Este hormônio, por sua vez, estimula o fígado a liberar glicogênio para que o organismo não venha a sofrer um colapso.


Para quem sofre com uma baixa glicêmica decorrente da falta de alimentação pura e simples é fácil reverter a situação. Basta ingerir açúcar de ação rápida, como um pedaço pequeno de chocolate ou um copo de suco de frutas que os sintomas desaparecem em minutos. É bom lembrar que nem sempre o sinal de tanque quase vazio é resultado da falta de comida. Existem outras razões que podem ser responsáveis por essa queda brusca de açúcar no sangue. Há várias causas para o distúrbio, que vão das mais simples, como hábitos alimentares inadequados, às mais complexas, como tumores no pâncreas ou disfunções glandulares. Por isso, nem sempre é fácil o médico descobrir o caminho para controlar o problema.

Contornando a crise

Se você suspeita que pode estar sofrendo por causa de quedas freqüentes do nível de açúcar em sua corrente sanguínea, a primeira providência é consultar um especialista para saber a razão. A segunda é tomar cuidados simples como a mudança de hábitos alimentares.
. Observe os sintomas. Verifique se eles aparecem depois de jejuns prolongados ou logo após você ingerir vários carboidratos na mesma refeição. Todas essas informações ajudarão o médico a fechar o diagnóstico no que diz respeito às possíveis causas.

. Não tire os carboidratos das refeições sem orientação médica, como fazem muitas pessoas que suspeitam ter o problema.

. Quem sofre desses distúrbios precisa fazer refeições em horários definidos, evitando ficar mais de três horas sem se alimentar.

. Comer muito em uma refeição e pouco na outra só complica. O ideal é dividir a quantidade de alimentos consumidos no dia em cinco ou seis refeições.

. Os mais suscetíveis ao distúrbio devem evitar grandes quantidades de açúcar, principalmente o refinado, de ação rápida, para que o pâncreas não se ‘vicie’ em trabalhar dobrado, lançando na corrente sanguínea mais insulina que o necessário.

. Farinhas e massas, por conterem amidos que se transformam lentamente em glicose, não podem ser abolidos, mas consumidos com moderação.


Fonte: JORNAL DO POVO